f Adeus, verde.: Agosto 2014

28 de ago de 2014

Para a saudade

Acabei de desligar o Skype, encerrar a ligação que fiz com minha amiga Marcela, minha mãe e minha irmã, sem contar o meu afilhado que ainda está dentro da barriga da mana, crescendo e se preparando para embarcar nessa família. Consegui através da tela estar mais perto delas, "participar" de um jantar. Jantar esse que acontece muito longe daqui, inclusive com uma hora de diferença entre nós.

Vejo pelo computador a nossa sala, nosso sofá, até a porta do meu quarto, coisas tão comuns a mim, mas que agora, daqui, se tornam distantes. Observo com atenção a minha mãe se mexer, gesticular, também fico atento a minha irmã, que sorri, fala comigo, e acaricia a barriga, acaricia o meu afilhado. A marcela está lá, com a mesma risada estrondosa, que chama atenção e enche o ambiente de amor.

Enxergo daqui do meu quarto de hotel, as três agasalhadas, com frio, e eu aqui de manga curta e ar condicionado ligado. Enfim, diferenças geradas pela distância. A única coisa que não muda é o amor, e junto com ele a saudade, que apertou meu peito assim que cliquei em "finalizar chamada". 

Nossa, que coisa mais doída que é isso. Eu achei que já havia sentido saudade, na verdade acredito que já tenha sentido sim, mas não com essa intensidade.

Existem tantos tipos de saudade, aquela de pessoas que já faleceram e que não veremos mais, ou daquelas que estão vivas, mas, que também não veremos. Ou simplesmente essa saudade, a que dependemos do tempo para estar perto.

Confesso que irei dormir hoje com o coração um pouquinho mais apertado. É incrível ver elas, mas é impossível não querer um abraço apertado, um carinho de mãe, o beijo da minha irmã e aquele colo de amiga. Concluo o texto cheio de lágrimas nos olhos, mas consciente, que só se sente saudade de quem é realmente importante e crucial nas nossas vidas. 

Amo vocês.


26 de ago de 2014

A verdade desse lado

Quando soube que iria viajar para Roraima, a primeira coisa que fiz foi abrir o nosso amigo Google e puxar toda a ficha desse lugar que tanto diziam ser o fim do mundo. Pesquisei comidas tipicas, bares e baladas, índice de violência, de atropelamento, de homicídio, até de natalidade... Entrei nas redes sociais de vários Roraimenses para olhar as fotos e descobrir como se vestiam, que aparência tinham, e se realmente ainda usavam penacho.



Embarquei
sabendo de todas aquelas informações que o Wikipédia "caga" em sua página, com todas aquelas estatísticas duras e impessoais que são geradas por quem conheceu a cidade apenas pelos livros e noticiários, sem ter a vivência do lugar.





Eles não usam penacho.
Aliás, até agora, vi tantos índios quanto vejo em Porto Alegre. Quanto ao índice de violência, ainda podemos dirigir na madrugada até uma praça bem iluminada, abrir as portas do carro, colocar um som e ficar de pernas pro ar olhando o céu e as milhares de estrelas. Falar nisso, não lembro de ter visto um céu tão lindo e gigantesco como aqui. Sobre as comidas tipicas: engordei quatro quilos.



Conheci gente feliz e hospitaleira, que sabe receber como poucos. Um povo gentil querendo mostrar as belezas de onde vive. 
Em se tratando de beleza, o Rio Branco e as cachoeiras próximas daqui falam por mim, falam por si. Trocar as grandes construções, os prédios enormes por toda essa paisagem só me fez bem, só me aproximou do aquietar de alma que eu tanto buscava.
















E é por tudo isso que esses mais de cinco mil quilômetros percorridos valeram a pena, sem dúvida, valeram. 

19 de ago de 2014

6 mil km para se encontrar


Sem dúvida estou vivendo uma das experiências mais incríveis da minha vida. Estou a quase 6 mil km longe de casa. Estou em Roraima. Abandonei temporariamente Porto Alegre, e junto com isso a minha família, meu circulo de amigos, meu quarto, mas principalmente, minha rotina. Esvaziei as gavetas, dei espaço nos armários e embarquei no avião para uma viagem de 10 horas.



Faz exatamente dezenove dias que estou aqui, e nunca tinha vivido nada parecido. A intensidade das relações é o que mais me chama atenção, foi afastado de casa, que pude conhecer pessoas extremamente parecidas comigo, que falam a mesma língua e compartilham o mesmo sentimento, que me receberam de coração aberto em sua cidade e em suas vidas.


Experimento uma liberdade que sempre desejei sentir. Aquela liberdade de encher o peito de ar e se deliciar com o "agora", me encantar com uma cultura totalmente diferente da minha, conhecer pessoas, lugares, estar um pouco mais perto daquela natureza que extasia e consegue me deixar sem palavras (coisa que é difícil de acontecer). Estou encantado. Apaixonado!



Enquanto isso, o tempo passa. E é lógico que a saudade aumenta! A saudade da minha mãe, dos meus irmãos, dos amigos de sempre. Acreditem, mas a única coisa que neste momento faz as lágrimas virem é ouvir a voz da mulher que eu chamo de mãe, dizer por WhatsApp: "Não vou enviar áudio, porque tem dias que são mais difíceis. Te amo filho".




Eu sei que minha súbita ausência dói, ainda mais depois de tudo que passamos juntos, da alta convivência que tivemos, principalmente nesse último ano. Aqui também dói, aperta, mas alivia. Alivia, porque estou bem. Porque estou feliz. Porque encontrei aquela sensação de plenitude que eu vivia buscando em outras coisas.

Então, vou continuar minha caminhada. Continuar desfrutando o prazer que vem das nossas escolhas. Crescendo, amadurecendo, pra quando chegar vocês possam observar o quanto tudo isso me fez bem.