f Adeus, verde.

6 de abr de 2018

Adulto


Liga para operadora da internet, fala com o prestador que vai arrumar teu interfone, e com aquele que vai consertar a pia, mas tu também não pode esquecer o boleto do aluguel, muito menos a conta da luz, manda um email para imobiliária, chama a mãe no WhatsApp para contar sobre o dia, reclamar um pouco ou perguntar como se usa a panela de pressão.

Sai do trabalho e voa pra casa, agora o apartamento é teu e quando tu chegar a louça ainda vai estar lá na pia (recém consertada pelo prestador que te levou 50 reais) as roupas não vão estar limpas (e lavar elas não é tão divertido como no comercial da OMO) lava a louça e as roupas, passa uma vassoura rapidinho, e bora fazer uma janta, e olha que incrível, mas não é uma miojo, é comida de verdade, até porque agora tu já aprendeu a usar uma panela de pressão.
Falar nisso, como panela de pressão dava medo, e ser adulto também dava medo, agora o medo continua existindo, mas não podemos deixar de SER e nem de usar, então tratamos de fazer da melhor forma.

As minhas conversas mudaram, meus interesses e atenção focaram em outras coisas. Metade daquilo que eu insistia em dizer pra todo mundo que eu era, apenas não existe mais, até parece que nem pertenceu a mim um dia.
Hoje eu to afim de conversar sobre produtos de limpeza, o mistério da fórmula mágica do maravilhoso Mr Músculo, reclamar um pouco de como as coisas estão caras no mercado, que lavar o cabelo tá quase virando coisa pra rico, que o aluguel come na mesa com a gente.

Eu quero falar que parece que virei adulto do dia pra noite, que nem sequer me dei conta, que tudo foi acontecendo, eu fui parando de ser tão inconsequente e inconstante, me alinhei na forma de amar e me relacionar, e sigo percebendo todas as mudanças que ainda são necessárias para eu ser um adulto mais evoluído.

A minha cabeça continua pirada, ainda sou inquieto e agitado demais, os meus impulsos de jovem amadurecendo volta e meia aparecem, fazemos umas cagadas aqui, arrumamos outras ali, e seguimos, virando gente grande e lidando com todas as panelas de pressão que encontramos nesse caminho.



30 de ago de 2017

Já sei amar



A grande maioria dos textos aqui do blog são sobre amor ou fazem algum tipo de menção a esse sentimento. Nunca foi uma coisa planejada, ou nem mesmo é o único assunto que eu goste de escrever, mas, com certeza esse espaço aqui reflete o que eu sou, e sobre isso eu nunca tive dúvida, eu sou grande fã dessa coisa maluca que é amar.
Aos quase 27 anos, tenho experimentado um amor diferente de tudo que vivi até aqui.
Não acreditava que o amor pudesse ser justo e leal, sequer acreditava em amor maduro, bem resolvido. Certamente grande parte disso foi culpa minha, eu era muito novo quando me apaixonei, sempre fui intenso, a insegurança e o ciúmes batiam ponto em mim, eu queria amar e ser amado a qualquer custo, e isso tudo é uma fórmula mágica para o fracasso amoroso.

Graças a deus fiz muitos aniversários de uns anos pra cá, e algumas fichas caíram, sabe?
Sigo obviamente sem a tal fórmula mágica que faz tudo ser flores e lindo o tempo todo, mas em compensação, descobri uma outra fórmula, muito mais fácil que a de bhaskara, um jeito simples de fazer as coisas darem certas: acumular momentos bons e ponto final.
Tenho experimentado nos últimos meses um amor desses simples, justo e leal. Tenho vivido um amor que me faz ter vontade de pedir pra todo mundo correr e buscar a sua paixão, por que é bom demais!

Tive sorte, eu sei, sorte de encontrar alguém tão parecido comigo, com o mesmo humor afiado, o mesmo brilho no olho quando se trata de viver, fui sorteado em ter um cara comigo que quer as mesmas coisas, crescer, viver e cuidar dessa relação, tão nova e tão intensa.
Os problemas estão aí, claro, são duas pessoas que apesar de tão parecidas, tem cada uma a sua particularidade, a sua história e a sua criação, modo de pensar e agir, enfim, pessoas distintas não é mesmo?!

É bom demais ter um amor que não se importa com isso, um amor que supera qualquer coisa, inclusive coisas difíceis e chatas, como o preconceito, a falta de informação, os olhares de "o que esses dois homens estão fazendo juntos?"
- Estamos amando e sendo muito felizes!

O amor existe, e está aí para todos. Espero que cada vez mais as pessoas se encham desse sentimento, desse estado de espirito, que com isso se preocupem e se importem menos com as formas variadas de amor que existem por aí, e que merecem RESPEITO!
Encontrem o ser par, e sejam extremamente felizes, com certeza isso deve bastar.

25 de mai de 2017

Resumo de um novo amor




De repente ficou fácil. De repente fez sentido.
Do nada funcionou.
Não sei qual foi segredo, se foi não ficar supervisionando o calendário, se foi abandonar os medos de sempre, ou por simplesmente acreditar que era pra ser.

O primeiro encontro em um bar, as amigas junto para aquilo não parecer um encontro tão clichê e levemente constrangedor. Uma cerveja, duas cervejas, a conversa paralela, o olhar tímido e às vezes de canto de olho, três cervejas, mais conversa, o olhar mais descontraído, a aproximação nítida, quatro cervejas, um pouco mais de conversa e no final o beijo, roubado por mim.

Mais um encontro, mais um bar, uma noite na casa de amigos, uma ou duas festas juntos, um cinema, uma saída pra jantar, outros bares, as conversas sem fim no WhatsApp, a vontade de se ver de novo, a dúvida boba de "mando ou não mando uma mensagem?", a espera da resposta, a ansiedade de se encontrar.

O espontâneo desinteresse em outras pessoas, a espontânea sensação de "eu to curtindo pra car@l#o"

De repente ficou fácil. De repente fez sentido.
Eu estava apaixonado, ele também.
A gente queria continuar se vendo, sempre.

As dúvidas de quem começou a se relacionar, o medo do desconhecido, a ponderação das palavras quando o assunto era "o que estamos sentindo", a alta frequência dos encontros, um "eu te amo" velado, escondido nas ações, nas frases. O tempo passando. Um, dois, três meses...

A confissão do "eu te amo" e um pedido de namoro lindo, leve e cheio de sentido.

Do nada funcionou. Do nada eu parei de ter medo.
Agora faz sentido ter uma relação.
Agora finalmente eu entendi que amor pode sim ser simples e leve, que respeito por alguém e confiança são a base de tudo.
Agora eu entendo que tudo deve ser conversado e trabalhado, que não devemos nunca dormir brigados, que amor significa paciência e cuidado, que devemos melhorar diariamente, ceder e praticar a empatia.

PS: o final desse texto é só pra ti, meu bem:
Se a vida é feita para acumular momentos bons, tenho certeza que estamos no caminho certo, diariamente entendo o que estamos construindo e para onde estamos indo, e apenas me encho de orgulho dessa pequena trajetória nossa.

Obrigado por fazer eu entender o amor, meu amor.




20 de out de 2016

Esse é o fim?!


Eu precisava voltar a escrever, estava em falta com o Adeus, Verde, mas principalmente em falta comigo. A vida entrou naquele ritmo frenético que a gente não consegue priorizar um monte de coisas apesar de gostar tanto delas. Sempre que pensava em vir aqui escrever questionava o que eu escreveria, qual o assunto eu iria abordar, cheguei a iniciar vários textos, escrevia um ou dois parágrafos e simplesmente parava, não fluía, não estava orgânico/natural.
Hoje eu sei que chegarei no final desse texto, pois as palavras estão pipocando na minha cabeça e eu preciso colocar para fora, preciso dividir com vocês. Acabei de receber a noticia do falecimento precoce e impactante de uma baita mulher, que tive o prazer de conviver no trabalho, uma menina ainda, lotada de sonhos e objetivos, que vinha lutando alguns anos com o câncer, fazendo seu longo e exaustivo tratamento, do jeito que deve ser feito, com fé e sorriso no rosto. Eu já estive desse lado, sei exatamente como funciona essa batalha, o quanto esse processo todo demora para passar e o quanto a gente acredita na cura, como buscamos incessantemente permanecer vivos.

Ninguém quer morrer. Ninguém quer perder essa luta.

Toda vez que isso acontece eu sinto que perdi também. Não consigo ser espiritualizado o suficiente para entender essa morte, acho injusto depois de tudo, depois de todos esses anos tentando, esse é o fim?! É o tal descanso merecido?!
Desculpa meu Deus, mas não consigo lidar, não posso dormir tranquilo hoje a noite, por que dói, por que faz eu lembrar que poderia ter acontecido comigo.

Eu não quero morrer. Eu não quero perder essa luta.

Juliana Daudt, há um ano, exatamente no dia 30 de outubro do ano passado, eu mandei uma mensagem no seu Facebook, contando que tinha sonhado contigo, no sonho tu estava curada e trabalhando muito, estava radiante e feliz. Esse sonho aconteceu logo depois que cheguei da minha consulta da oncologia, onde eu fechava dois anos de cura. Tive certeza que não era uma coincidência, tive certeza que era a maneira que Deus encontrou de avisar que tu iria ficar bem.

Estou rezando pela tua passagem. estou pedindo força e entendimento para tua família e amigos.

Não queria estar voltando para o blog por esse motivo, mas também não poderia deixar passar a história de uma guerreira, que viveu até o último dia para vencer essa doença.

A todos que continuam, eu desejo força, coragem e muito amor para enfrentar tudo que essa doença causa.


#Luto